Domingo

As tecelãs do Olimpo (videoclip)

Caso não consiga operar o player, acesse: Tecelãs do Olimpo

Datas, horário e contatos para matrícula

Curso básico:

Quartas, de 19:30 às 21:30h.
Preço: 150 reais.
Matrícula pelo tel (21) 3042.4995

A tecelagem é uma técnica milenar de transmissão oral, seus preceitos são os mesmos: um conjunto de fios verticais que, uma vez dispostos, não se pode mais mudar (destino, contexto), entremeando um conjunto de fios horizontais, a trama, através do vai-vem das navetes (livre arbítrio, tempo presente). A técnica pode dar uniformidade a um grupo possibilitando o pertencimento do tecelão, ou destaque por meio da autoria.
Em quatro aulas de duas horas vamos juntos montar os fios da urdidura (verticais) tecer liso (horizontais), e entender as possibilidades e as limitações do tear.
Os encontros aconterão às quartas, de 19:30h as 21:30h, em Laranjeiras, perto do metrô Largo do Machado. Mínimo de três e máximo de seis alunos. Preço: 100 reais.
Início dia 15 de agosto.
Aguardo vocês.
Fotos e textos sobre tecelagem, no site http://www.gloriahorta.net/
Para matricular-se, entre em contato: 3042.4995.
Se atender a secretária eletrônica, deixe seu nome e telefone com clareza.

Os simbolismos da tecelagem

TECENDO A VIDA

Glória Horta

O ato de tecer, em regiões distantes entre si e tempos distintos, sempre nos remete ao movimento ininterrupto da vida. De maneira sumaríssima, diríamos que o quadrado representado pelas quatro travessas do tear, as duas horizontais (inferior e superior) e as duas laterais (esquerda e direita) formam um quadrado: a limitação. O limite da vida humana, portanto.
O conjunto dos fios verticais (urdidura), e seus atributos (cor, comprimento, espessura, eqüidistância), uma vez determinados, não se pode mais mudar. Urdir é preparar o destino. Há circunstâncias e decisões que nos marcam para sempre. Acontecimentos, contextos, decisões, atos e fatos, palavras, perdas, situações à quais não poderemos jamais retornar para modificar.
Impossível remontá-la, a urdidura, sem morrer e renascer. Este é o primeiro movimento em relação ao desenho da trama de nossa existência.
Uma vez determinadas as características básicas do tecido, somos livres para fazermos, dentro daquele comprimento, daquela largura, e das especificidades dos fios que se alternarão, a teia de nossa vida. Tramar é viver. O movimento das navetes da esquerda para a direita e da direita para a esquerda é a construção da rotina que compõe a nossa tarjetória.
A urdidura firme, composta de fios belos e de belas cores, não nos garante o bom resultado. Como trançaremos os movimentos cotidianos é o que vai dar beleza ao tecido final.
No rolo da frente, sobre o colo do tecelão, fica enrolado o que já foi tecido, o passado simbólico. No rolo de trás (ou de cima), o urdume por tramar, o futuro, o que ainda não foi feito, o que pode ser mudado.
Entre os dois rolos, entre o céu e a terra, e limitados pelas travessas verticais da finitude humana, criamos diariamente a tela, a teia, onde fomos involuntariamente enredados.

Que a tecelagem participe de nossa reflexão sobre o mistério de viver.

Textos sobre Tecelagem Manual


http://ofiosimbolico.blogspot.com/

As moiras e o destino.

Mitologia Grega.

Tecelagem na África.

Alunos e mestres


























































Kilim

Kilim é um tipo de padronagem onde carreiras horizontais justapostas, na mesma cala, com cores diferentes, formam padrões. Usado geralmente na confecção de tapetes.
As cores ficam justapostas e o desenho escalonado da trama se acentua. Consequência natural deste tecer são as fendas verticais que se verificam na trama.
Estes desenhos são elaborados, em geral, através do avanço paulatino de fios da trama, em cores diferentes, pela área do tapete.
Trabalhamos com mais de uma navete ao mesmo tempo.

















Oficina dos fios. Itanhandu

Curso básico

No curso básico, aprendemos a urdir, vestir o tear, tecer liso formando desenhos, retirar o tecido do tear e arrematar. No mais, o tempo do curso é o tempo de cada um. A tecelagem é um aprendizado que, como todos, não tem fim. Quem pega amor pelo tear não larga ele nunca mais.




































































Sábado

Tapetes







Roupas e acessórios





















Cooperativa Nós da Trama

Variações

Alice Maria







Tear de pedal

O tear de pedal, em geral, aciona diferentes conjuntos de fios, formando padrões. Podem ter de dois a dez ou mais pedais. Os mais usados possuem quatro quadros com o urdume e seis pedais. Mais caro que o tear de pente-liço, é ideal para confecção de tecidos finos. O tear de pedais também produz tapetes e, neste caso, são bastante grandes.
Chamamos de tear de padronagem aquele que garante a mesma técnica, porém é menor, ocupa menos espaço e os pedais são substituídos por "manetes", alavancas manuais que cumprem a mesma função.
O tear de pedal faz tudo que o de pente-liço faz, mas a recíproca não é verdaeira.
























Segredo e visibilidade. Tradição e transmissão.

Os preceitos básicos da tecelagem mantêm-se os mesmos desde os tempos pré-históricos até os nossos dias. Entretanto, para que uma técnica sobreviva, é necessário que circule.
Tudo que se transmite repetidamente é tradição.
Desde que o homem subsitituiu peles de animais por trançados, a tecelagem nos acompanha em todos os cantos do mundo.

No Brasil, os escravizados trouxeram seus teares de dois pedais entre a parca bagagem. Em certas regiões de Minas Gerais, os europeus introduziram a técnica de quatro pedais a seu modo: ensinando a repetir sem criar, por meio de "receitas".

Os índios produziam complexos padrões apenas repetindo os mais velhos. A base da permanência da tecelagem no Brasil está calcada na oralidade e, consequentemente, na observação direta e na memória.

A repetição de padrões garante a unidade do grupo e o pertencimento do indivíduo. Importante é repetir exatamente igual aos antepassados, depositários do conhecimento e responsáveis por sua permanência.
A autoria e a inovação, entretanto, objetivam distinguir um indivíduo em relação aos demais, singularizando-os. O "novo" é uma obsessão em nossa sociedade.

A partir destas premissas, muito temos a refletir sobre o segredo e a visibilidade. Quando ensinar? Quando manter em segredo? Quem merece saber? De quem devemos esconder?
Separar o que merece permanecer do que não merece é uma instância de consagração bastante visível na seleção de conteúdos programáticos de instituições de ensino, na seleção de conteúdos da mídia, na seleção de obras que "merecem" ocupar espaço em museus.

A Tecelagem Manual, a cestaria, as artes praticadas pelo povo, enfim, tudo que não é enquadrado pelo olhar eurocêntrico da História da Arte, tal como nos é apresentada à primeira vista, são práticas abarcadas pela Antropologia, pela Cultura Popular, pelo "folclore".
As distinções entre os termos artesanato e arte são questões debatidas exaustivamente nos meios acadêmicos.

A Tecelagem Manual também é vista como "terapia", assim como o canto, a dança, o riso, o beijo, enfim, tudo que os rituais que perdemos levaram consigo.
Neste momento, diversos grupos "inventam" novos rituais de casamento, de batismo, de velórios, de passagens.

A globalização, a internet, a facilidade de fazer contatos, divulgar, mostrar imagens num tempo mínimo facilita a transmissão da técnica, a troca de informações. Mas conhecimento e informação são categorias bastantes distintas. A transmissão da arte de tecer mantém os mesmos atributos quando baixamos um vídeo pela Internet e quando nos reunimos numa deliciosa conversa "fiada" para observar e fixar na memória?

Quantos, neste momento, estão conectados pelo computador ao mundo inteiro, sozinhos em seus apartamentos? Como dosar a aquisição desenfreada de informações e o contato com o silêncio do outro?

A tecelagem pode nos ensinar a curtir melhor a solidão voluntária?
A tecelagem nos separa do "mundo"?

Tecer trazendo no coração todas estas perguntas é muito mais que produzir objetos de uso como tapetes e tecidos.

A escolha do tear e a escolha do caminho

Existem diversas técnicas de tecer, cada uma utilizando-se de um diferente tipo de tear. Existem teares de dois a doze pedais, teares sem pedais, com dois ou mais quadros, teares chilenos, mineiros, verticais, horizontais, de cintura.
Dependendo da origem da técnica, o tear pode variar, já que em todo os cantos da terra, talvez não simultaneamente, mas em algum momento da História, o tear foi inventado. A possibilidade de tramar.
Neste curso, nós trabalharemos com o tear de pente-liço, um modelo simplificado, que nem por isso tem suas possibiliddes reduzidas.
Ele é o mais indicado para apartamentos, produção caseira, e tem o preço mais acessível.
Futuramente, poderemos aprender outras técnicas em outros teares.
A tecelagem pode ser um aprendizado sem fim.
Tudo vai depender da intenção do tecelão.
Se o seu objetivo é criar para si, para vender, ou montar um ateliê de fabricação, se é produzir tecidos, tapetes, ou ambos. Para cada objetivo, um tear é o mais indicado.

Entretanto, pelo preço, pelo espaço que ocupa, por sua facilidade de transporte, montagem e desmontagem, e por suas imensas possibilidades, o tear de pente-liço (onde pente e liço se conjugaram numa só peça), é o nosso ponto de partida.

No meu caso, gostei sempre de dar aulas e de estudar, tanto os significados simbólicos do fio e da trama, quanto as inúmeras facetas que envolveram e envolvem a transmissão desta prática. Por isso, fiz um Mestrado em Antropoliga da Arte com o tema "Segredo e Visibilidade na Tecelagem Manual no Brasil" (UFRJ) e volto a dar aulas.

Minha amiga Regina Righi é a articuladora da Cooperativa Nós da Trama, em Araruama. Aprendemos tecelagem juntas, com a Márcia Gonçalves, na Aldeia de Geribá, em Búzios.
Mas cada uma de nós seguiu um caminho diferente.
Muitos alunos que tive hoje são professores.
Outros produzem para vender, ou para presentear, ou para si, ou para passar o tempo, ou meditar.
Que os nossos alunos encontrem, cada um seu caminho, e que nos ensinem coisas.
Viver é aprender.
Sejam bem-vindos ao mundo mágico das urdiduras e das tramas.

Domingo

Sobre Glória Horta

Glória Horta deu aulas de tecelagem durante seis anos, fez Mestrado em Antropologia da Arte, com o tema "O Segredo e a Visibilidade na Tecelagem Manual no Brasil", pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. 1999
É jornalista (FACHA), fotógrafa nas horas vagas, e poeta quando dói.